|
O Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS)
"Orlando Villas-Boas", do Parque Ecológico do Tietê
(administrado pelo DAEE) conquistou, no último dia 4 de
setembro, o prêmio Benchmarking Ambiental Brasileiro 2009. A
premiação é uma iniciativa da ONG Mais Projetos Gestão e
Capacitação Socioambiental e visa selecionar e compartilhar
os melhores cases de práticas de excelência em gestão
socioambiental do país. Em 2008, o DAEE havia conquistado o
prêmio com o Programa Água Limpa.
Criado em 1986, inicialmente para repovoar o Parque Ecológico
do Tietê, o CRAS funciona como um refúgio pioneiro para
recepção e tratamento de animais silvestres, provenientes de
apreensões do tráfico ilegal realizados pela Polícia Militar
Ambiental e pelo Ibama. Além de ser o primeiro órgão no
Brasil a realizar esse tipo de atendimento, é o principal no
Estado de São Paulo. Depois de alguns anos de funcionamento,
com o Parque Tietê completamente repovoado, o CRAS passou a
libertar os animais recuperados em outras áreas de soltura
credenciadas, de acordo com sua origem e a demanda.
O CRAS recebe atualmente uma média de 7.000 animais por ano,
entre aves, répteis e mamíferos. A grande maioria são aves,
cerca de 80% de várias espécies: araras, corujas,
periquitos, bem-te-vis, beija-flores, gaviões, carcarás,
falcões, tucanos, entre outras. Em seguida, vem os répteis -
lagartos, cágados, iguanas e cobras. Em menor proporção, os
mamíferos, com predomínio dos primatas. Depois disso os
veterinários e técnicos do centro tratam e recuperam os
animais para devolvê-los à natureza. Somente quando não há
mais como readaptá-los ao habitat natural é que eles são
enviados ao criadouro, para reprodução em cativeiro. A média
de devolução é de 60%. Esse é um índice que pode ser
considerado bom, em função da taxa de mortalidade -
altíssima - produzida pela violência dos métodos do tráfico.
A maioria das aves e outros espécimes chega ferida e
debilitada, por ter sido mantida em péssimas condições pelos
traficantes. Algumas vezes porque esses animais foram
transportados sem o mínimo de cuidado, outras, porque mesmo
recebendo os cuidados de um dono bem-intencionado não vivem
em condições adequadas, por estarem presas e fora de seu
habitat natural. O CRAS também recebe doações de pessoas que
resolvem devolver à natureza o animal silvestre que mantinha
em casa, sem qualquer risco de punição legal, já que a lei
garante a isenção na imputação de pena nesse caso. Só em
2007 foram acolhidos dessa forma mais de 400 jabutis. Por
viverem muito tempo, é comum chegar o momento em que o dono
quer desfazer do bicho.

Segundo os funcionários do CRAS também é habitual a ilusão de
que se o animal for cuidado com carinho, vai ficar bem em
cativeiro. Mas normalmente sofre e adoece, por melhor que
seja o tratamento recebido, devido à condição inadequada a
que fica submetido, contrária à sua natureza. Exemplo disso
é a quantidade de aves que chega do local com o empenamento
comprometido. Muitas arrancam as próprias penas, numa reação
involuntária de automutilação provocada por estresse. Mas
são constantes também os episódios de animais feridos
intencionalmente. São casos de macacos com dentes serrados
para não morderem, pássaros com olhos perfurados ou
queimados por bitucas de cigarro para ficarem mais dóceis e
cantarem, e aves de rapina com garras arrancadas para não
atingirem fisicamente o homem.
Aves de rapina, cujo primeiro voo não é bem sucedido e
pássaros que se enroscam em linhas de pipa são outros
exemplos de casos acolhidas pelo CRAS. Depois do tratamento
adequado, as aves podem ganhar os ares num recinto de
treinamento de voo, para depois ampliarem as horizontes. A
equipe encarregada de cuidar dos animais em tratamento no
CRAS é formada por três veterinários, um biólogo e nove
tratadores. Eles atuam numa estrutura formada por recintos
adequados às necessidades dos animais atendidos, entre os
quais há um ambulatório e uma Unidade de Terapia Intensiva.
Na chegada, são identificados e recebem os primeiros
cuidados. O tempo de permanência é variado. Animais ainda
bastante selvagens costumam ter o retorno à natureza mais
breve, quando a recuperação permite. A rotatividade é grande
e a demanda cada vez maior, por causa da intensificação da
fiscalização nos últimos anos. |